Todo ano em janeiro surgem as inúmeras análises sobre os melhores investimentos para o ano que se inicia, nas diversas mídias que utilizamos, incluindo mais recentemente e com importância crescente as redes sociais.

São especialistas em economia e finanças, avisando quais são os melhores investimentos e que “sugerem”, mesmo que de forma indireta dadas as restrições regulatórias, alguns produtos, que obviamente foram os “campeões” do ano passado.

Ao ler, ouvir ou assistir essas “análises”, ainda mais de pessoas renomadas ou “gurus”, é normal que os investidores tentem seguir essas recomendações, implicitamente acreditando em algo que todos sabemos que não faz nenhum sentido, já que rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura.

Quer ter certeza? Siga esses 3 passos simples:

1)     Pesquise na internet os fundos mais rentáveis em cada classe de ativo (Renda Variável, Multimercado e Renda Fixa, que são os principais) em 2017

2)     Agora, pesquise a mesma lista, mas com os dados de 2018

3)     Compare as duas

Se você seguiu esses passos, verificou como é raro encontrar um fundo que esteja nas duas listas. E isso de um ano para o outro. Quando aumentamos esse prazo, essa questão se mostra ainda mais clara. Uma matéria do ano passado do “The Wall Street Journal” mostrou que os fundos de ações que permanecem no primeiro quartil em termos de rentabilidade em um período de 5 anos é praticamente zero.

Isso é verdadeiro para fundos e produtos de investimento dentro de uma mesma classe de ativo, mas também é verdadeiro para comparar as classes de ativo entre si. O dólar foi o investimento que mais rendeu em 2018 no Brasil, seguido pelo Ibovespa, mas em 2017 o dólar não teve uma boa performance. Como será em 2019? A verdade é que ninguém sabe. Nos últimos 10 anos, apenas uma vez o ativo de melhor performance em um ano foi o mesmo do ano seguinte. E se alguém por acaso soubesse que isso iria acontecer, com certeza não iria te contar porque é uma informação/análise que vale bilhões!

Escolher os investimentos analisando a rentabilidade passada é um erro comum até porque é intuitivo agir assim, mas tem grande potencial de corroer seu patrimônio ao longo do tempo. Para agravar o problema, o mercado financeiro de uma forma geral, incentiva os investidores a agirem dessa forma, basicamente por dois motivos:

  •  É o jeito mais fácil de vender – você prefere algo que rendeu muito ou algo que rendeu pouco?
  • O conflito de interesse impacta as recomendações – embora o interesse do cliente devesse estar em primeiro lugar, como todos os códigos de ética do mercado preconizam, sabemos todos que isso nem sempre ocorre. Como já disse Peter Malouk, da gestora americana Creative Planning, “compensation drives behavior”

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Então, como sair dessa armadilha e fazer bons investimentos? Bom, vou tentar te ajudar com algumas sugestões:

1)     Busque auxílio profissional – sempre! Escolher entre a caderneta de poupança, fundo DI e produtos de Renda Fixa pós-fixados é bem fácil e isso você consegue fazer sozinho. No entanto, para ter um bom portfólio, você precisa de muito mais do que produtos – precisa de excelentes produtos que façam sentido juntos, para uma verdadeira diversificação. O mundo das finanças hoje é bem mais complexo e exige conhecimentos e experiências que o investidor comum não possui;

2)     Sempre pergunte ao profissional que te assessora, seja o gerente do banco, planejador financeiro, consultor de valores mobiliários, administrador de carteiras ou agente autônomo de investimento:

a.      Quanto você receberá caso eu aceite suas sugestões?

b.      De que forma?

c.      Se eu optar por outros investimentos, como isso impacta sua remuneração?

d.      Você está apto (técnica e legalmente) a me sugerir um Portfólio/Carteira de Investimentos?

Ao analisar essas respostas dos profissionais que você contatar, terá uma visão mais clara sobre os conflitos de interesse e isso pode e deve ser decisivo na sua escolha.

Outro fator é que você deve se lembrar sempre que, mais importante do que a rentabilidade de seus investimentos, é a sua disciplina para tomar boas decisões: orçamento, crédito e riscos.

Conjugando uma visão holística de planejamento financeiro, preferencialmente com auxílio de um planejador profissional, com gestão também profissional de seus investimentos, que inclui uma excelente diversificação e o menor conflito de interesse possível dos prestadores de serviço contratados, você terá uma receita certa para um caminho de prosperidade nas finanças, não apenas em 2019, mas para sempre.

É isso que eu desejo a você: melhores decisões financeiras! Analise e reflita sobre as suas opções, isso irá te aproximar de seus objetivos.

Feliz Ano Novo, felizes decisões novas!