O paulista Pedro Orlandi, de 42 anos, começou a se especializar em planejamento financeiro há quase vinte anos, quando passou a estudar o que fazer com o dinheiro que ganhou com a venda da empresa de publicidade criada com colegas de faculdade. Só há sete transformou o serviço em profissão. Hoje é um dos quase 4 mil planejadores financeiros no país e tem uma carteira de 50 clientes. Há alguns endividados, a quem Orlandi ajuda a renegociar contratos ou taxas com os bancos, outros que não conseguem poupar para investir, mas a maioria quer melhorar os ganhos das aplicações ou busca novo rumo para o patrimônio. Ele atua como agente independente – cobra R$ 2.400 para o diagnóstico em quatro a seis encontros sobre a situação do cliente, mais R$ 600 por consulta de monitoramento – e é também um dos pioneiros da equipe de 130 planejadores da Fiduc Planejamento Financeiro, a quem encaminha investidores interessados em um plano de negócios customizados.

“Se antes era difícil até fazer alguém entender como funcionava o planejamento financeiro, agora é um negócio em expansão, apesar de a cultura inflacionária do passado e a desigualdade de renda ainda travarem as possibilidades de investimento do brasileiro”, diz Orlandi. “Um dos desafios do segmento é o modelo de negócios, coisa que já temos”, afirma Valter Police, responsável pelo treinamento dos profissionais da Fiduc.

A fintech especializada em planejamento financeiro começou a operar este ano. Tem 150 planejadores associados e espera chegar 400 em 2019. O diferencial que reúne profissionais que atendem 33 cidades do país é o plano de negócios. Os sócios entram com o cliente e não se exige vínculo de exclusividade. A gestão dos investimentos é da Fiduc, registrada na CVM, que entrega o planejamento e implementa as aplicações. O retorno é de 1,5% ao ano sobre os ativos do cliente geridos pela fintech. Um terço remunera o planejador.

A atividade de planejamento financeiro pessoal requer profissionais qualificados e idôneos, capazes de avaliar as necessidades do cliente e dar a melhor orientação. A profissão surgiu nos Estados Unidos nos anos 1970. Em 2004, com o crescimento da certificação CFP no mundo, foi criado o Financial Planning Standards Board (FPSB), que reúne afiliadas em 26 países e 162 mil profissionais certificados. No Brasil são 4 mil, embora a certificação não seja obrigatória porque o mercado não é regulamentado. “A certificação atribui código de conduta e penalização”, diz Jayme Carvalho, diretor da Associação Brasileira de Planejadores Financeiros (Planejar).

A Plano Consultoria de Finanças Pessoais, criada há dois anos, atua no mercado com dez planejadores financeiros certificados. A carteira tem mais de mil clientes atendidos on-line. Metade tem pequenas dívidas; 30% não conseguem poupar para investir e 20% já têm investimento, mas querem melhorar o rendimento. A empresa analisa a situação e traça um plano de investimento, mas não faz a gestão direta das aplicações nem indica o gestor. O honorário fixo varia de R$ 350 a R$ 400 por mês e o contrato é de seis meses. “Não se cobra por resultado para não influenciar as opções do cliente”, afirma Ricardo Hiraki, sócio-fundador da Plano.

Fonte: Paulo Vasconcelos. Valor Econômico

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