Passada a eleição os caminhos que serão tomados pelos novos eleitos começam a ficar mais claros e, com isso, um dos assuntos mais importantes que o país tem para discutir voltará a tona com toda força – a reforma da previdência.

Saiba que essa questão seria abordada não importa quais fossem os eleitos, uma vez que as contas públicas não têm mais condições de arcar com os crescentes custos do sistema de previdência oficial e algo precisa ser feito de maneira urgente.

Para ilustrar a gravidade de nossa situação, retrato abaixo um gráfico no qual o eixo vertical retrata o percentual do PIB gasto pela previdência pública, ou seja, quanto da riqueza do país o governo direciona para essa questão, enquanto que no eixo horizontal temos a razão de dependência, que, em outras palavras reflete se a população do país é jovem ou envelhecida. Quanto mais para cima no gráfico, portanto, mais o país gasta com o sistema de aposentadorias e pensões e quanto mais para a direita, mais velha é a população do país. É de se esperar que quanto mais idosa a população, mais se gaste com esse assunto, não é mesmo? E o resultado é exatamente esse, como podemos acompanhar:

Fonte: estudo de Marcelo Abi-Rama com dados da OCDE (2013) e Banco Mundial

Veja como em um comparativo, o Brasil gasta como um país de idosos (praticamente o mesmo que a Alemanha gasta), embora sejamos muito mais jovens – e também muito mais pobres.

Assim, embora não saibamos ainda como será a reforma da previdência que teremos em breve, uma coisa é certa – se nosso padrão de vida exige uma renda superior a um ou dois salários mínimos, é melhor nos prepararmos para nos tornarmos financeiramente independentes do governo quando essa fase da vida bater à nossa porta.

Assim, precisamos tomar as rédeas de nossas vidas financeiras em nossas mãos: além de termos o controle de nossos gastos, para que exista poder de poupança, é fundamental que tenhamos uma gestão de nossos recursos com excelência e para a qual os interesses do cliente fiquem em primeiro lugar, ao invés de rebates, metas ou comissões pela venda do produto A ou B.

Um tipo de investimento que se destaca quando falamos sobre aposentadoria são os planos de previdência, afinal, foram elaborados para esse objetivo e possuem uma legislação com diversos benefícios, incluindo regras tributárias exclusivas que podem fazer grande diferença lá na frente.

Um grande problema é que a maior parte dos planos de previdência é ruim – possuem altos custos e uma gestão que não é indicada para o longo prazo.

Existem planos com custos acima de 2,5% ao ano, o que tenderá a corroer qualquer rentabilidade que venha a se conquistada. Além disso, pensando no longo prazo, planos de renda fixa tendem a rendem bem menos do que planos que permitem investimentos em outros mercados – os chamados multimercado.

Uma solução ainda melhor – embora bastante rara – é possuir um plano que não coloque os seus recursos em apenas um fundo, com um único estilo de gestão, mas sim faça essas escolhas de forma dinâmica, acompanhando os movimentos do mercado e dos próprios gestores e faça as alocações nos melhores fundos do mercado, nas proporções indicadas por uma estratégia já elaborada.

Se, ao fazer a escolha por seu plano de previdência, assim como para seus demais investimentos, você puder contar com profissionais que não tenham os conflitos de interesse comuns no mercado financeiro, ainda melhor, já que as escolhas entre VGBL e PGBL e entre as possíveis tabelas do imposto de renda podem se confusas e as decorrências de uma decisão equivocada, drásticas.

Aproveite os últimos meses do ano para iniciar sua trajetória rumo à sua independência financeira na aposentadoria, até porque pode ser que você possa pagar menos impostos já na declaração do próximo ano, conforme suas características como contribuinte e o tipo de plano que escolher.

Boas escolhas e mãos à obra!