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Quatro veteranos do mercado de capitais, Patrick O’Grady, Alexandre Aoude, Sérgio Campos e Paulo Lemann, resolveram reestruturar seus negócios e criar uma companhia conjunta de investimentos. Eles comandavam as gestoras Pollux Capital e Alps Capital, que foram absorvidas pela Vectis, atuando na compra de participações acionárias e na originação e investimento em crédito corporativo.

Criada há um ano e começando a tomar ritmo, a Vectis levantou cerca de R$ 1 bilhão para participações e crédito – mas, curiosamente, já devolveu parte desse capital antes mesmo de aplicá-lo. Isso porque, na divisão de participações, o modelo é diferente da prática de mercado, em que um fundo é estruturado, capta recursos com investidores e vai atrás de oportunidades de aquisição para aplicar esse capital. “Primeiro encontramos o negócio, depois chamamos capital”, diz O’Grady, que foi sócio do banco Pactual e da XP Investimentos.

A Vectis levantou R$ 350 milhões para competir em leilões de energia com a Antares, comandada por José Ragone, ex-presidente da transmissora Taesa. Mas a competição acirrada no leilão derrubou as taxas de retorno e a Antares recuou. “Era um capital comprometido, mas ainda não sacado. Explicamos para os investidores que o preço do leilão já não viabiliza o nosso modelo de investimento”, conta o sócio.

Nesse caso, a Antares teria um fundo de investimento em participações como investidor, mas a estrutura nem sempre é essa. Em meia dúzia de participações já adquiridas, a Vectis fechou a compra direta e com capital proprietário. A carteira inclui, por exemplo, uma participação minoritária na catarinense Neoway, plataforma de fornecimento e análise de dados, na corretora Avenue Securities, na empresa de planejamento financeiro e serviços fiduciários Fiduc, na rede de lojas Imaginarium e no grupo Eleva Educação.

A Vectis pode vir a fazer também investimento direto em empresas listadas em bolsa, mas não gestão de fundos de ações abertos. Por isso, a Pollux, que atuava nesse segmento, devolveu os R$ 700 milhões que geria aos investidores no fim do ano passado para encerrar seus fundos.

A outra ponta de atuação é com a divisão Vectis Capital Solutions, que faz estruturação e investimento em crédito corporativo. No ano passado, foram R$ 700 milhões em volume. A Vectis busca companhias já alavancadas e que precisam de capital novo para dar fôlego ao negócio. “Uma das formas de chegar a essas empresas é ter parceria com consultorias de reestruturação e mesmo com bancos que já são credores dessas companhias”, diz Campos, que trabalhou mais de dez anos na consultoria Accenture e cofundou a gestora Pollux.

A originação e o investimento no crédito segue lógica semelhante à da divisão de participações. “Em ambas esse modelo de chamar o capital conforme a demanda tira a pressão de ter que investir em um determinado prazo independentemente da qualidade do ativo”, diz Aoude, que presidiu o Deutsche Bank no Brasil e foi diretor no Itaú BBA.

Os quatro se conhecem há mais de 20 anos e, antes de consolidar seus negócios, dedicaram algumas semanas a uma dinâmica quase terapêutica para discutir e alinhar o papel e as expectativas de cada um na nova sociedade. Todos participam de todas as áreas, mas no dia a dia O’Grady é mais ativo na divisão de participações, Aoude no crédito, Campos faz a ponte com consultorias de reestruturação e gestão e Lemann participa em cada ponta sem um chapéu específico. “Tem uma rede de relacionamentos relevante e uma ótica diferente”, diz Aoude.

Lemann morou em Nova York na década de 90, quando comandava o fundo de fundos Synergy – que deu origem anos depois à 3G Capital, que passou a comprar participações diretas em empresas e foi assumida por Alexandre Behring. De volta ao Brasil, cofundou a gestora Pollux em 2005. Atualmente é conselheiro da Anheuser-Busch, da Lojas Americanas, da gestora Lone Pine Capital e da Fundação Lemann, criada pelo pai, o empresário Jorge Paulo Lemann.

Fonte: Maria Luíza Alves. Valor Econômico

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