Decidir o quanto poupar e onde investir é sempre uma tarefa difícil. Contar com a assessoria de um profissional especializado para ajudar a definir os objetivos financeiros e avaliar as melhores opções de investimento – tendo a certeza de que o especialista estará agindo de forma independente e isenta – ainda é um luxo restrito a poucos no Brasil.

Mas esse quadro tende a mudar. Deena Katz é professora do departamento de planejamento financeiro pessoal da Texas Tech University, nos Estados Unidos, e uma das mais renomadas especialistas no assunto.

Ela aposta no crescimento do mercado e, em sua passagem pelo Brasil em 2013, chamou a atenção para quatro mitos da profissão de planejador financeiro.

O primeiro deles é a crença que, para o cliente, é sempre mais eficiente o pagamento direto pelo serviço de assessoria financeira. A fórmula padrão é a de uma remuneração fixa, relacionada com a dificuldade do trabalho.

Supostamente, essa é a maneira mais segura para minimizar os potenciais conflitos de interesse. Isso porque casos em que as recomendações do profissional não estão, necessariamente, em linha com os objetivos do cliente podem ocorrer com frequência.

Após a análise da situação patrimonial, o planejador financeiro tende a recomendar ações práticas. Além de ajustes no orçamento doméstico, o profissional pode sugerir determinados produtos financeiros, tais como aplicações em ações e fundos de investimentos, quitação de empréstimos ou contratação de seguro e plano de previdência.

O bom senso sugere que, se a remuneração do planejador financeiro não estiver atrelada à execução das recomendações, a isenção da análise será maior.

No entanto, Katz tem uma visão mais pragmática sobre o tema. Alguns clientes, argumenta a especialista, podem se sentir desconfortáveis em pagar antecipadamente por um serviço que não sabem, ao certo, qual resultado terá.

Porém, eventualmente, concordam que o planejador financeiro receba um percentual sobre as ideias que forem efetivamente levadas adiante, mesmo na forma de rebate sobre comissões de produtos financeiros.

O importante é que o planejador financeiro adote princípios sólidos para o exercício da atividade profissional, seja transparente, mantenha a isenção e saiba identificar e administrar os inevitáveis conflitos.

Mesmo no caso em que os ganhos venham a ser gerados por meio de recompensas sobre os produtos, é possível manter a isenção. Mas é fundamental que o cliente, após ser informado sobre a forma de remuneração do profissional, não tenha objeções.

O segundo mito é a necessidade de o planejador possuir uma prática independente, sem vínculos com instituições financeiras.

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Katz lembra que, para desenvolver uma atividade autônoma, é necessária a contratação de diversos serviços indispensáveis para o atendimento das demandas dos clientes. Dependendo do estágio de desenvolvimento do mercado em que o planejador atua, os custos dos serviços podem ser proibitivos.

E compara os Estados Unidos com o Brasil. Devido ao tamanho do mercado americano, os serviços de análise, negociação, custódia e controladoria são oferecidos aos planejadores financeiros por uma fração do que são cobrados aqui no país.

Além disso, a atividade independente envolve preparo específico, tais como noções de empreendedorismo, controle de custos e estratégias de captação e manutenção de clientes. Na pior das hipóteses, o conjunto de outras tarefas pode tomar o tempo e a energia que poderiam estar sendo empregados no planejamento financeiro para os clientes.

Uma possibilidade, então, é que, mesmo atuando como parte de uma organização financeira, o profissional adote práticas que o estimulem a agir de maneira independente.

Assim, colocará os interesses do cliente em primeiro plano. Cabe ao potencial cliente desenvolver a percepção necessária para identificar com que tipo de profissional está trabalhando.

O terceiro mito é a necessidade de especialização do planejador financeiro na gestão de recursos.

Com a constante sofisticação do mercado de investimentos, existe a pressão para que o profissional seja, cada vez mais, um especialista em produtos e estratégias financeiras. Para Katz, o planejamento financeiro eficiente envolve uma abordagem holística, que deve levar em consideração todos os aspectos das necessidades financeiras do indivíduo.

Se a opinião especializada for fundamental para resolver a necessidade específica de um cliente, ela pode ser conseguida por meio de consulta a outros profissionais.

Nos mercados desenvolvidos, a especialização dos profissionais de planejamento financeiro não tem ficado restrita às atividades de gestão de investimentos. Hoje, existem assessores dedicados ao atendimento de determinados tipos de demandas, tais como pequenos empresários ou famílias em que algum integrante possui certo tipo de necessidade especial.

Por último, o quarto mito é que os clientes querem apenas assessoria para investimentos. Katz explica que, ao longo do tempo, houve mudanças relevantes das principais preocupações.

No passado, a recomendação final era o que importava. As novas gerações preferem uma abordagem que propicie respostas corretas para novos questionamentos.

Hoje, é fundamental que o planejador financeiro possua um sólido processo para chegar às recomendações. E isso deve ficar claro para o potencial cliente.

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